“Todos os dias temos Anjos ao nosso redor, basta olharmos com os olhos da alma que seremos capazes de vermos suas asas”

— Eu sou teu anjo da guarda e meu nome é Vehuel, estou com você desde o dia em que nasceu, te acompanhei em tudo, chorei com você, sorri com você, comemorei suas vitórias, decepcionei-me com seus fracassos, fique tranqüilo aos poucos você entenderá o que Ele quer de você, venha aproveitemos nosso café, e se não formos ninguém tomará café hoje – Ele abriu aquele enorme porta branca, era um salão enorme, tipo uma salão de festas, haviam centenas ou milhares de pessoas, elas se levantaram e começaram a aplaudir, vieram algumas crianças segurar minhas mãos, outras corriam ao meu redor, creio que brincavam de pega-pega, algumas pessoas vieram ao encontro e diziam a mesma coisa.

— Seja bem vindo estávamos te esperando para o café – Ouvi uma voz ao fundo.

— Crianças! Depois vocês brincam, voltem para seus lugares. – Vehuel pegou em minha mão e conduziu-me até uma das mesas, haviam dois lugares vagos, ele pediu que eu me sentasse, olhei atrás de mim, à minha frente e dos lados, todos olhavam para mim e sorriam, alguns erguiam o punho cerrado e balançavam ao vento, em um gesto de vitória, uma senhora ao meu lado dizia baixinho ao meu ouvido.

— Se precisar conte comigo – Percebei que todos se aquietaram e levantaram-se todos de uma vez, Vehuel me puxou pelo braço e disse apressadamente mas sorridente.

— Venha levante-se, essa é uma das horas mais esperadas do dia, nosso Pai irá falar conosco. – Nosso Pai pensei, então irei conhecer Deus? Todos olhavam para o mesmo lado, eu tentei forçar meus olhos para ver algo, nada consegui ver, então uma voz forte e macia, uma voz aveludada daquelas aberturas de filme, foi só nisso que pude pensar, essa voz tomou conta de todo o ambiente, eu me virava, tentava olhar se existia alguma caixa de som, ou algum microfone, não via nada, não via ninguém falando.

“Qualquer um pode contar as sementes em uma maçã, mas só Deus pode contar o número de maçãs em uma semente.” (Robert H. Schuller)

— Calma Ray, ouça, sinta, abra sua alma e preste atenção, esse momento é mágico – Disse Vehuel me abraçando com uma das mãos, ele forçava levemente meu ombro contra o seu, então concentrei-me no que aquela voz dizia.

— Vejo que todos aqui conheceram o nosso irmão Ray Philip! – E todos que estavam à minha frente se viraram, alguns acenaram sorrindo, outro ergueram os punhos cerrados e sorriam.

“— Meus filhos! Eu sei que é muito triste vermos nossos irmãos sofrerem tanto, nossos pequenos estão contaminados pelos vícios das drogas, mães abandonam suas proles em sacos de lixo, pais corrompidos pelo sexo, mas vocês sabem que em meio a tudo isso, ainda existem irmãos que conseguem nos sentir, peço a vocês meus Anjos, não desistam deles, eu acompanho a batalha de cada um de vocês, nunca antes tantos Anjos haviam chorado, aprendemos ao longo das batalhas que quando acreditamos na boa luta, a vitória é tardia, é sacrificada, mas virá, eu lhes suplico que não desistam deles.” – Eu que nunca fui muito sentimental, estava abraçado à senhora ao lado, nós chorávamos, as lágrimas eram torrenciais, um sentimento único de Amor, fraternidade, companheirismo se misturavam com um desejo alucinado de chorar mais, senti a mão de Vehuel sobre minha cabeça, ele orava de cabeça baixa, ele chorava enquanto dizia.

“— Obrigado pai pela oportunidade que me concedestes em conhecer Ray, obrigado meu Pai Celeste pela oportunidade de cuidar de um de seus filhos.”

— Venha Ray, sente-se, vamos orar juntos e agradecer pelo nosso café da manhã, feche os olhos e agradeça, eu sei que você não tinha esse hábito mas, aqui temos como regra. – Disse Vehuel dando-me a mão e baixando sua cabeça e fechando os olhos, percebi que todos ali presentes estavam de mãos dadas, confesso que não sabia como fazer, não sabia que palavras usar, mas me arrisquei.

— Obrigado Deus, obrigado por esse café da manhã. – Em um segundo me veio à mente a lembrança de que haviam mesas naquele local, eram muitas, todos cobertas com toalhas bordadas, toalhas brancas, mas que as mesas estavam vazias, se tivessem que servir a todas aquelas pessoas, precisariam de muitas outras pessoas, meu pensamento foi atropelado por um delicado aperto em meu braço acompanhado de um sussurro.

— Se não comer eu comerei tudo! – Disse Vehuel baixinho. Abri os olhos e maravilhei-me com uma mesa farta, à minha frente haviam pães de vários tipos, tinha um pão tão grande na mesa que eu não resisti e sorri ao vê-lo, haviam várias compotas de doces, frutas exóticas, algumas eu nunca havia visto, cestos enormes ao lado de cada mesa chamavam-me a atenção, Vehuel desemborca uma grande xícara à minha frente, e em um gesto com o dedo aponta alguns bules antigos, ele não conseguia falar, estava com a boca cheia. Servi-me com café, e a senhora que esta ao meu lado disse:

— Experimenta esse leite de cabra, é uma delicia, acho que foi Deus quem o ordenhou. – Disse ela gargalhando de felicidade, muitos conversavam entre si, outros somente se alimentavam calmamente. Vehuel virá-se batendo palmas:

— E ai Ray, parece que não gostou do nosso café da manhã celestial? – Gargalhou olhando para a senhora ao meu lado.

— Rute você ainda não se apresentou?

— Ai Vehuel, nossa com todo esse entusiasmo da chegada dele eu até me esqueci de me apresentar, apesar que você quem deveria ter feito isso.

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