“Lembre-se que coisas boas ou ruins, acontecem a qualquer momento, esteja sempre atento.”

Não sei que horas são, que dia é hoje e muito menos onde eu estava. Mas percebi que já estava ali tempo demais, tentei erguer a cabeça, tentei forçar os olhos para ver algo e não conseguia, o estranho é que minhas pernas e meus braços não respondiam, eu somente conseguia sentir minha própria respiração e nada mais, eu sabia que ainda não estava morto, ou estava? Acho que ainda estava vivo! Mas o que eu fazia ali deitado? Meus olhos não obedeciam, tentei abri-los, pareciam que estavam colados, estava frio muito frio, era certo que somente meu rosto sentia algo, comecei sentir algo deslizando nele, algo quente, eu estava deitado Aos poucos meus olhos clareavam, vi em minha frente várias luzes em movimento, comecei também sentir alguns pingos d’água, então minha mente não parava de pensar que estava começando uma chuva, e eu ali deitado, com certeza poderia se afogar, então uma voz suave bem próximo de meu rosto, disse:

— Fique calmo, o socorro logo virá – Eu sem forças para responder ou perguntar algo, tentei em vão um esforço tremendo para me comunicar e nada.

— Não se esforce, nada posso fazer a não ser chorar por você, ficarei aqui até alguém chegar. – Pensei rapidamente em porque essa pessoa não poderia me ajudar? Sua voz era doce e suave, essa voz entrou em meu coração encheu-me de uma paz nunca antes sentida, minhas forças agora estavam concentradas em ver o rosto daquela pessoa, tentei por muitas vezes visualizá-lo e nada, aos poucos comecei sentir em minha boca um gosto estranho, era o gosto de meu próprio sangue, fui me dando conta que algo ruim havia ocorrido, e que a situação não era nada boa. Lampejos de minha vida rondavam minha mente, uma dor forte na alma, o que acontecera comigo?

Um acidente?

Um assalto?

Será que estou baleado?

Morrerei aqui?

De quem será essa voz que tão bem me fazia sentir-se?

Outras vozes começavam a surgir bem ao longe, várias vozes, e aquela doce voz novamente se manifestou.

— Agora irei, eles estão vindo e irão te ajudar – senti uma mão me tocando e sussurros, baixos sussurros como uma oração em meu ouvido, não conseguia entender todas as palavras, não conseguia entender o que ele dizia, e novamente senti algumas gotas d’água pingando em meu rosto, desta vez um dos meu olhos conseguiram com muito esforço focar-se, vi destroços, e labaredas de fogo perto de mim, concentrei-me a elevar meu olhos mais ao alto, e o vi! Um homem de traços marcantes, talvez uns 30 ou 35 anos, de seu rosto sereno escorriam lágrimas, eram as gotas d’água que caiam sobre mim, ele me disse baixinho antes de ir.

— Mesmo você tendo me abandonado muitas vezes, eu jamais te abandonarei – Eu tentava manter o único olho aberto sem piscar. As outras vozes se aproximavam mais e mais, consegui ouvir alguém falando:

— Aqui tem alguém, venha Jr. me ajude, corre! – Disse ele com a voz tremula.

— Francis vá lá embaixo e veja se não tem mais alguém no precipício, use o equipamento do caminhão, vamos preciso de uma maca, vamos, vamos! Depressa!

Nisso eu às vezes conseguia abrir o olho, às vezes não tinha forças para abri-lo.

— Precisamos de auxílio aéreo, ele não vai suportar a viagem de ambulância, amarrem-no, cuidado, calma, um, dois três agora! – Pude sentir que sai do local onde estava, acredito que tinham me retirado em uma espécie de maca.

— Cuidado, com calma, preciso dos aparelhos, já comunicaram a central? Vamos, vamos pessoal!

— Doutor! Os batimentos estão caindo.

— Limpem o sangue rápido, massagem,preparem o desfibrilador … – Eu estava li nas mãos daquelas pessoas, sem conseguir me comunicar, sem saber ao certo o que acontecera, ouvia um aviso sonoro, um com pequenos espaços de pausa, e aos poucos ia diminuindo, eu sabia que aquilo não era nada bom, até que o silêncio da pausas sumiram e somente o aviso sonoro percorria o ambiente, um som de desespero, um aviso minha hora havia chegado, eu sempre achei que a hora da morte seria diferente, pensava que fosse um túnel de luz, ou um vácuo, como um buraco onde eu caísse pela eternidade, sei lá, não somente aquilo, um vazio, um nada, era muito sem graça. Até que novamente ouço aquela voz.

” Estejamos atentos a aprender sempre, não importa quando ou com quem, o conhecimento está por todos os lados.”

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